14 setembro 2006

... e sobre a produção durante uma aula sobre comunicação.

Assuma a responsabilidade e conseqüências. Mostre sua cara, leve o tapa, deixe e se esforce para acontecer o que teme. Ou então fique com o peito apertado, o pensamento trêmulo, a garganta sêca. Esconda-se, e esconda-se de si mesmo. Não existirá espaço para quase mais nada, além de imaginar como seria o tão temido monstro.
O olhar triste se instala. O medo e o calafrio percorrem o corpo. Terá então a certeza de que está vivo e por vezes preferiria não estar.

... e sobre momentos de nossas vidas.

Turbilhão que chega dizendo à que veio. Acorda caboclo! Entre em meu ritmo, o seu está muito lento. Tudo fica tão frenético que a impressão é que se perde o chão, se perde tudo. O medo toma conta. Afoito perde-se o fôlego, começa a correr atrás do turbilhão, tentando reconstruir o que foi destruído. Achar o que foi perdido, recuperar o que foi deixado. O medo gritando no presente. O turbilhão é um aviso, aviso que se está demasiado fora do eixo. O ritmo retoma sua lógica, o seu compasso. O turbilhão perde o sentido, perde sua função momentânea e deixa então o caboclo novamente regrado, e seu medo um pouco esquecido.

10 setembro 2006

Deixe como está
Não nutra, não deixe crescer.
Faça o movimento inverso
Sufoque, contenha, mate.
Não sinta
Deixe estar

Abstraia-se, devaneie
Desista de suas vontades
O desejo de estar, sem poder.

Verás e não poderás querer
Desejarás e não poderás ver

Queres tocar e não alcanças
Queres falar e não tens escuta
Gritas ao vento,
e perdes o som no infinito.

Serás banido, cortado, lançado fora
Não terás direito à existência

e o repertório noturno ..

...Você pega o trem azul
O sol na cabeça
O sol pega o trem azul
Você na cabeça
O sol na cabeça ...

(o trem azul - milton nascimento)

08 setembro 2006

e aos devotos de clarice...

Também era bom que não viesse tantas vezes quantas queria: porque ela poderia se habituar à felicidade. Sim, porque em estado de graça se era muito feliz. E habituar-se à felicidade, seria um perigo social. Ficaríamos mais egoístas, porque as pessoas felizes o eram, menos sensíveis à dor humana, não sentiríamos a necessidade de procurar ajudar os que precisavam - tudo por termos na graça a compreensão e o resumo da vida.
.. extraído de uma aprendizagem ou o livro dos prazeres C. Lispector

entre as muitas divagações sobre a cana..vamos à ela.

Faz tempo, algum tempo que não tomo cana pra valer.. daquele jeito que quando é feito, o indivíduo faz promessas e abstinências por um bom período de tempo, sem nem encostar ou cheirar álcool.
Beber com propriedade.
Preecher com cana.. o buraco de dentro, anestesiar, esquecer ou lembrar, e então acordar com ressaca e gosto amargo na boca. Assim, voltar ao cotidiano.

06 setembro 2006

santa chuva

e essa música anda grudada na minha cabeça, acordo cantando, e olha que prezo o silêncio de manhã..
Viva os diálogos!!!
...de Marcelo Camelo.

(ele)

Vai chover de novo
Deu na TV
Que o povo já se cansou
De tanto o céu desabar
E pede a um santo daqui
Que reza a ajuda de Deus
Mas nada pode fazer
Se a chuva quer é trazer você pra mim
Vem cá, que tá me dando uma vontade de chorar
Não faz assim
Não vá pra lá
Meu coração vai se entregar
À tempestade...

(ela)

Quem é você pra me chamar aqui
Se nada aconteceu?
Me diz?
Foi só amor? Ou medo de ficar
Sozinho outra vez?
Cadê aquela outra mulher?
Você me parecia tão bem...
A chuva já passou por aqui
Eu mesma que cuidei de secar
Quem foi que te ensinou a rezar?
Que santo vai brigar por você?
Que povo aprova o que você fez?
Devolve aquela minha TV
Que eu vou de vez
Não há porque chorar
Por um amor que já morreu
Deixa pra lá
Eu vou, adeus
Meu coração já se cansou de falsidade...

finalmente esse texto antigo cabe aqui.. adaptado.. mas cabe..

Nada a dizer.
Não acho nada, pelo menos nada que me agrade no momento, para colocar aqui.
Talvez o mundo já esteja repleto, de palavras, frases, cores, movimentos.
Há muita informação correndo fora do portão.
Aqui estou eu então, de próprio punho, ou melhor de própria digitação preenchendo este espaço que talvez devesse ficar vazio. Mas o vazio é de difícil digestão para este mundo tão acostumado com tanta coisa, tanta gente, tantas cores, tanta informações.
E agora neste momento.. em que eu deveria estar correndo atrás de fazer as minhas próprias coisas. Fico aqui preenchendo este espaço...
Isso não tem fim.
Então boto um ponto final, pois lá fora do portão além de toda a informação tem também um dia lindo e os pássaros continuam a cantar e acho que vou deixar a promessa de lado e fazer a minha caminhada diária, que foi prescrita por toda a junta médica a todos os seres humanos, como algo para manter o coração saudável. Já que o cotidiano, nas tentativas de relacionar-me não estão sendo o suficientes nesse quesito, aliás talvez até o inverso, então melhor fazer os tais dos exercícios.

05 setembro 2006

e sobre ser importante..

-you are also really much important to me
-am i?thanks for making me important to you
-you are important to me

e sobre ser uma mulher bomba...

Inadequação, como se tudo o que falasse fossem respostas erradas e ao final ser reprovada no teste.
Como se o que sou, realmente não satisfizesse, como se não bastasse.
E quando bastasse, me tomasse um sentimento de repudio.
Vontade de ficar em uma rede, sob o sol de inverno. Ouvir os sons que vêem da rua e nada mais.
Não pensar. Não me importar. Não existir.
Medo. Medo de mim mesma e dos pensamentos, cores, sabores e dissabores que passam pela cabeça.
Sentimento de que não vai ter jeito, de que se está perdida, sem solução. Parece que as histórias se repetem, e dá medo da repetição, porque você já sabe o final, já sabe o que vai acontecer ao fim do ciclo.
Estressada por ser eu mesma, por ser quem sou.
A vida não é fácil, mas quero fazê-la mais fácil, mais simples.
Pra que tanto sofrimento? Pra que tanto pensamento vil?
Vou ver televisão. Odeio televisão.
Quero explodir.

04 setembro 2006

e sobre gatos...



Os únicos animais que mesmo domesticados guardam características selvagens. Há quem os odeie, há quem os amem. Independentes. Despertam fascínios. Supersticiosos ou não, quem nunca ficou obcecado ao ver um gato preto. O olhar indiferente deles em relação ao outro, a cães que loucamente insistem em latir, às pessoas que tomadas pela raiva insistem em enxotá-los de um território pelos quais eles transitam sem medo de fronteiras.

Utilizados pelos egípcios como caçadores de ratos e venerados como deuses. A deusa Bastet, deusa da fertilidade e da felicidade, benfeitora e protetora do homem, era representada como uma mulher com cabeça de gato. Na Idade Média juntamente com as bruxas, os gatos foram punidos e tidos como criaturas do diabo e muitas vezes eram queimados junto com as mulheres acusadas de bruxaria ou mesmo sozinhos.

Acredita-se que os gatos são os mais sensitivos dos mamíferos, sendo mestres nos sentidos. Não há barreiras e obstáculos para estes.

Admito que apesar de não ser uma fã número um destes bichinhos, admiro e creio ter muito que aprender com eles.

(informações históricas extraídas e adaptadas do wikipedia)

03 setembro 2006

e do verde dos teus olhos...

Me abraça, me aperta
Me prende em tuas pernas
Me prende, me força, me roda, me encanta
Me enfeita num beijo

M. Nascimento
Não sou freira nem sou puta ... R. Lee E Z. Duncan

nessa espera o mundo gira em linhas tortas

Abre os teus armários
Eu estou a te esperar
para ver deitar o sol
sob os teus braços castos
Cobre a culpa vã
até amanhã eu vou ficar
e fazer do teu sorriso um abrigo

Abre essa janela
primavera quer entrar...

de Marcelo Camelo para mim, para tu, para vós, para eles.

aos meus amigos obrigada por tudo...

Admito, ainda estou sob influência descarada das palavras que entraram ontem nos meus ouvidos...
Para vocês! Isto é, se existem vocês lendo estas linhas. Afinal minhas palavras só fazem sentido, ainda mais neste tom de diálogo, quase mais que um monólogo, se existem alguém lendo.
Pensamentos sobre minha existência inexistente no mundo, de que realmente sou descartável, de que não há ninguém esperando nenhuma carta, ou notícia minha, de que o telefone continua e continuará mudo. E de que estas palavras serão apenas palavras jogadas ao vento, jogadas na rede, e perdidas no espaço como lixo virtual. Poluição escrita. Poluição da mente.
Bom tudo isso é fruto da desorganização das minhas idéias.
Várias vezes com pequenas palavras e gestos sou presenteada com idéias contrárias a este pensamento vil. Isto me toca e me deixa intensamente feliz. – Sem tu não é a mesma coisa!
Faz me acreditar de que sou importante e me deixa assim, me sentindo parte do mundo, pertencente ao meu pequeno mundo, a minha pequena realidade, real, não virtual. Acho que estou mais carente do que gostaria e deveria.

Bom pra vocês, você ou ninguém agora apresento.
Maria Rita, intérprete de muitas músicas boas.

carteiro escondeu 2 toneladas de cartas em casa

Será que tem alguma carta minha lá?

e da incapacidade de expressão..

Muitas vezes não consigo explicar o que sinto, o que penso.
Em muitos outros momentos as músicas e poesias, palavras já organizadas e impressas falam coisas das quais tenho até medo. Às vezes os desenhos e cores são as melhores formas para expressar.

Tenho medo.

Odeio às vezes os pensamentos.

Preciso voltar a desenhar.

02 setembro 2006

alvorada...a cor da esperança

Nada como Cartola para nós acompanhar até o fundo do poço, mas também nos acompanhar na saída e no festejo como no carnaval quando resolvermos dançar, conviver e celebrar pelos arredores do poço, e porque não até em um caminho novo, por vizinhanças desconhecidas e florestas ainda selvagens.
Nem se precisa ter muito que festejar. Mas ele simplesmente com sua poesia e batuque nos faz pensar que realmente vale a pena sorrir quando se pretende levar a vida.
Afinal..

Alvorada lá no morro, que beleza
Ninguém chora, não há tristeza
Ninguém sente dissabor
O sol colorindo é tão lindo, é tão lindo
E a natureza sorrindo, tingindo, tingindo
Você também me lembra a alvorada
Quando chega iluminando
Meus caminhos tão sem vida
Mas o que me resta é tão pouco
Ou quase nada, do que ir assim, vagando
Nesta estrada perdida.
...
A tristeza vai transformar-se em alegria,
E o sol vai brilhar no céu de um novo dia,
Vamos sair pelas ruas, pelas ruas da cidade,
Peito aberto,
Cara ao sol da felicidade.
E no canto de amor assim,
Sempre vão surgir em mim, novas fantasias,
Sinto vibrando no ar,
E sei que não é vã, a cor da esperança,
A esperança do amanhã.

Que santo Cartola nos dê bom ânimo...

01 setembro 2006

qual a resposta?

viver, voar ou morrer?

e sobre a agonia...

Sempre fui invejado e sempre fui orgulhoso ao pensar no meu sono de criança, deitava dormia e sem precisar me mover na cama, sempre profundamente. Sem me abalar com os piores dos terremotos.
Esta noite não dormi, remexi, tive sonhos recorrentes, assustadores, sobre o cotidiano da minha vida. Cobranças internas e externas, medos, falhas. Como se estivesse sendo testado e reprovado a todo o momento.
Como se fosse uma farsa, fingindo ser algo que não tenho a capacidade de ser, como se não fosse bom o suficiente.
Acordo angustiado, sentimento agoniado na minha garganta, coração um pouco disparado, boca do estomago apertada. Medo. Agonia.
O presente me assusta, o futuro nem sei, nem penso nele. O presente acontece agora, e me deixa perdido. Perdido no emaranhado do meu próprio cotidiano. Cumprir os prazos e atividades. Fazer direito. Cumprir meu papel na sociedade em que vivo. Lidar com o turbilhão de pensamentos e sentimentos que transitam no trânsito caótico da minha cidade.
Quero o anoitecer na cidade, o entardecer, com direito a parada para olhar o pôr do sol.
Quero colo e cafuné, quero um lugar seguro, se isso existir, ou for possível. Mesmo que a segurança esteja dentro de uma caverna, dentro do apartamento vazio. Apenas isto.
Um banho afoga essa agonia? Uma volta de bicicleta? Desce uma aí, por favor!