10 novembro 2006

doce de abórora com cravo

Minha infância foi recheada de sabores. Dona Diva cozinheira de mão cheia sempre fora rainha da cozinha. Lembro-me da primeira vez que comi doce de abóbora.
Como toda boa e chata criança, fugia de tudo o que remetesse aos vegetais. Crianças são ingênuas, ainda não descobriram os prazeres do mundo verde, amarelo, vermelho ...
Hoje não dispenso nem jiló, aliás difícil pensar em algo que não apeteça meu paladar.
A imagem de minha mãe parada na cozinha com a colher de pau na mão me oferecendo o passaporte de entrada no mundo delicioso do doce de abóbora, ainda é muito fresca, envolta ainda até do aroma característico.
-Experimenta minha filha, experimenta. Como você não gosta se nunca experimentou?!

ode à espera

O senhor tempo mancomunado com os ponteiros do relógio zombam dela.
Até o vento cochicha contando às folhas das árvores que a espera nunca chega.
Os insetos desistiram de ficar ali.
A lua já cansou de iluminar o caminho, e a sombra esperada nunca desenha o chão.
Mesmo que chegasse, ela nunca conseguiria alcançar ou mesmo tocar a sombra.
Enquanto a menina espera, a noite preocupada, faz com que ela adormeça.
Assim a menina entorpecida pela noite esquece de esperar.
Embalada pelo sereno dorme profundamente entregando-se aos sonhos e delírios.
Anestesia-se a dor que pudesse ousar em fazê-la chorar.

e sobre certas dietas burras

As vezes a vida parece uma grande dieta, quase abstinente, cheia de privações.
Pessoas se privam de chocolate e de todas as coisas que muito apetecem seu paladar, por culpa ou quase como um auto flagelo. - Não pode, engorda!
Outras pessoas fazem dieta de carinho, afeto. Fica o eterno jogo (muito estranho aliás). Afeto em conta gotas, amor medido.
O amor desmedido, recheado de carinhos sem ter fim, dos beijos molhados de mel com açúcar mascavo são proibidos. Não se pode ou deve, tudo deve ser contida à miúde, economia, dieta quase espartana, tudo para dançar e caber no espartilho.
Eu só de raiva e fome comi agora no intervalo da aula, pão de queijo com café (claro que com açúcar e mascavo, com direito a uma pitada de canela) e de lambuja para fechar essa celebração ao sabor me deliciei com duas paçocas, porque dose dupla é mais gostoso. Eu que amo paçoca nunca me contento com uma, faço juz ao nome..livioca paçoca cara de pipoca.

09 novembro 2006

e da música dada na aula de inglês

Treading trodden trails for a long, long time
I say my hell is the closet I'm stuck inside
Can't see the light
...
I find sometimes it's easy
to be myself
Sometimes I find it's better to be somebody else

....................So much to say - Dave Matthews Band

08 novembro 2006

e o bate papo com a deusa

-e aí pessoa amada, como tá?
-eu tô aqui.. nessa minha vidinha suburbana, interiorana.
preciso dar um rumo, preciso trabalhar, preciso estudar, preparar aula.. pagar conta..mas a realidade é muito cansativa

...

assim seguiam os dias analisando o outrem.
meio voyeur, meio curioso, meio encantado com o que o outro pensava.
visitantes quase secretos um do outro.
assim os dias passavam.

livros versus balanço financeiro

Livros, ah os livros.
Não há crise financeira que resista e não se agrave em feira de livros.
Ainda mais em feira onde se tem no mínimo 50% de desconto.
Melhor nem passar perto, ignorar, deixar a vontade coçando.
Ontem não resisti, mergulhei, entrei, me deliciei.
Por sorte nem todas as bancas aceitavam o maldito dinheiro de plástico.
Sou compulsiva por livros, não consigo comprar apenas um, ainda mais quando se tem 50% de desconto.
Sim, entrei, olhei, olhei, busquei, encontrei.
Sim comprei.
Afinal não é todo dia que se tem 50% de descontos.
Todas as importantes editoras estavam presentes nesta grande orgia literária.
Com um cardápio completo passeando de dicionários, livros técnios, romances, filósoficos até livros de arte, fotografia e de moda.
Sabe aqueles livros caroooossss.. então, sim eles estavam presentes por lá com preços na metade.
Pensei em voltar lá hoje munida de dinheiro de papel.
Quem sabe passear por algumas bancas que resistiam à minha crise econômica.
Mas fui proibida, por mim mesmo.
Vou é pagar contas, para cair na realidade.

fim de noite .. quase em um novo dia.

cana, ausência.
roda de amigos, papeios, risadas.
tanta coisa.. tanta coisa..
noite repleta de acontecimentos.
Dia repleto.
mente ocupada, mente distraída.
tentativa quase bem sucedida.
Fim de noite, saudade e quase que recaída, caida, ida.
regada a chuvisco, herança ainda dos campos.
doces tentando adoçar o que não é tão doce.
Vou dormir que o meu mal é sono.
cama. sonífera ilha.

07 novembro 2006

o idosar da vida.

De lambuja a partir de pensamentos de meu amigo amado Sr Rogério
Provar que podemos ser melhores, lutar pela busca do que ainda não se sabe. Boa, Ruim, mediana, excelente, outstanding... super.
O vai e vém, o sobe e desce, os altos e baixos.
To cansada. Mas tamo aí, tentando ver onde vamos chegar. Se chegarmos.

a economia do viver

Começo do mês, fechamento, saldos e balanços.
Assumo, tenho um pouco de receio de encarar a minha vida econômica..
O meu único prazer é pagar as contas.. ficar livre dos débitos.
De resto, tenho medo de olhar o extrato.. olhar o saldo que nem sempre é positivo.
Admito!
Vou ter que fazer isso agora.. e por algum raio de luz que possa iluminar meu dia.. talvez não ficar deprimida.
Esta é uma pitada da minha realidade deste momento.
Argh.. detesto.
Se gostasse teria estudado economia e estaria sentada no monte de grana ganho às custas da aversão alheia às cifras.
Minha aversão a estas taxas, débitos, impostos, ostos, etos, bletos, cletos, zeltos.

06 novembro 2006

05 novembro 2006

no terminal

chuva torrencial, até que enfim. lavar esse calor.
munida de sombrinha, com a barra da saia e sandálias molhadas, encontro meu amigo pelo caminho.
Após compartilhar as novas e intrigantes descobertas da vida, solto uma fala um tanto quanto melódica mas muito pertinente.
- "é meu amigo só resta uma certeza (...)
ele completa...
- é preciso acabar com essa tristeza é preciso inventar de novo o amor."
A chuva cessa e o relógio acusa que é hora de seguirem.
Lata d'água na cabeça
Lá vai Maria
Lá vai Maria

Lata d'gua
(Luís Antonio e J. Júnior)

porque música boa se compartilha

BAMBINO
Ernesto Nazareth / Zé Miguel Wisnik

E se o ferro ferir
E se a dor perfumar
Um pé de manacá
Que eu sei existir
Em algum lugar

E se eu te machucar
Sem querer atingir
E também magoar
O seio mais lindo que há

E se a brisa soprar
E se ventar a favor
E se o fogo pegar
Quem vai se queimar
De gozo e de dor

E se for pra chorar
E se for ou não for
Vou contigo dançar
E sempre te amar amor

E se o mundo cair
E se o céu despencar
Se rolar vendaval
Temporal carnaval
E se as águas correrem
Pro bem e pro mal

Quando o sol ressurgir
Quando o dia raiar
É menino e menina
Bambino, bambina
Pra quem tem que dar
No final do final

E se a noite pedir
E se a chama apagar
E se tudo dormir
O escuro cobrir
Ninguém mais ficar

Se for pra chorar
E uma rosa se abrir
Pirilampo luzir
Brilhar e sumir no ar

Se tudo falir
O mar acabar
E se eu nunca pagar
O quanto pedi
Pra você me dar

E se a sorte sorrir
O infinito deixar
Vou seguindo seguir
E quero teus lábios beijar
e aos poucos vai se acostumando, digerindo, apagando, transformando.

não caia de cabeça

Porque não se pode cair de cabeça? Por ser o lago muito raso?
Pelo medo do afogamento?
Porque é proibido?
A morte fatal acontece por mergulhar no lago? o risco de bater a cabeça sempre presente.
Ou a morte acontece por ficar apenas olhando do topo?, sem nunca saber como é o olhar das cores durante a queda, a temperatura da água, a adrenalina que percorre o corpo...
Faz tempo que não pulo de lugares altos.
Mas de uma forma ou de outra, sem a adrenalina, a morte já parece próxima e certeira.

um dito que estava em uma exposição que vi por aí

O olho é a janela do corpo humano, por onde a alma especula e frui a beleza do mundo, aceitando a prisão do corpo que sem esse poder, seria um tormento (...) Quem acreditaria que um espaço tão reduzido seria capaz de absorver as imagens do universo?
Leonardo da Vinci

e em meados de Outubro

Na única pausa para respirar que tomo descubro que já estamos no final do ano. Incrível! Ainda hoje mesmo li um antigo escrito, que estava perdido em meu caderno, onde eu dizia "the semester jsut started and I am already late. Late for my own life".
Então vejo que ainda continuo atrasada e que mal ou bem, caminhei. Ainda não terminou, mas é quase como se tivesse. A agenda já está consumida, à perder de vista e mais um ano que evapora.
Na semana passada me deparei com panetones no supermercado. Sim, começo de Outubro.
Feliz Natal! HO HO HO
Acho melhor comprar minha fantasia de carnaval ou organizar o bloco.
Estou mesmo atrasada ou o mundo está demasiado acelerado.

PS. Veja, até o post está atrasado.

01 novembro 2006

Ode à Luz Marinha

"...rosa renascedora, renascida:
abre
cada dia as tuas pétalas,
tuas pálpebras,
que a velocidade da tua pureza
estenda os nossos olhos
e nos ensine a ver onda por onda
o mar
e flor a flor a terra."

......... Pablo Neruda

Boa Noite!

Noite quente e depois de algum tempo sem ver alguns amigos, fazemos valer os reencontros.
Já gostei mais de rodinhas de violão no passado, hoje em dia ainda gosto, mas estar com algumas pessoas (específicas e seletas) cantarolando em uma roda de violão tornou-se realmente a grande graça em momentos assim.
Nem precisa de um extenso repertório, nem precisa de cana ao lado, nem precisa de muito tempo. Mesmo que em um fim de noite em uma plena terça, e com a cumplicidade das vozes e melodias o que se faz já é suficiente pra elevar o espírito e sorrir feliz.

Compartilho aqui uma do nosso repertório de hoje a noite, que sim, é vasto e desafiante aos tocadores e cantores de plantão, e ainda conta com um seleto repertório internacional, com direito à performances que transitam desde Guns and roses até DMB, sim amigos.. somos quase um grupo a lá tabajara.
Mas aqui compartilho esse clássico do repertório da casa.. com vcs de Djavan.

Meu ar de dominador dizia que eu ia ser seu dono
E nessa eu dancei!
Hoje no universo nada que brilha cega mais que seu nome
Fiquei mudo ao lhe conhecer, o que vi foi demais, vazou
Por toda selva do meu ser, nada ficou intacto
Na fronteira de um oásis, meu coração em paz se abalou
É surpresa demais que trazes, ainda bem que eu sou Flamengo
Mesmo quando ele não vai bem, algo me diz em rubro-negro
Que sofrimento leva além, não existe amor sem medo
Boa noite!
Quem não tem pra quem se dar, o dia é assim igual à noite
Tempo parado no ar, há dias, calor, insônia, oh! noite
Quem ama vive a sonhar de dia, voar é do homem
Vida foi feita pra estar em dia, com a fome, com a fome, com a fome
Se vens lá das alturas com agruras ou paz, Oh, meu bem, serei seu guia na terra
Na guerra ou no sossego sua beleza é o cais
Eu sou o homem
Que pode lhe dar, além de calor, fidelidade
Minha vida por inteiro eu lhe dou
Minha vida por inteiro eu lhe dou


O Flamengo foi em homenagem à Catita, eu não sou uma pessoa futibolestica.
E peço ao meu companheiro de cantoria, a letra está certa?
Tu sabe que letras não são o meu forte.

Saravá!