28 agosto 2006

Nem preciso falar que desci no inferno astral.. desci para o meu caos pessoal, minha melacolia. Navegando na minha própria baba, pastando no meu próprio complexo. Na minha eterna neurose.. Escrevo para ver se passa. Espero que funcione.. essa minha blogterapia. Coloco minhas características astrais tentando achar alguma justificativa e algum alento.
Que bonitinho.. até rima.
Já animei meu humor letrando minha nuvem negra.

e sobre aquarianos

Aquarianos, em geral, sofrem de altos e baixos de voltagem nervosa. Como sua cabeça vai longe e rápido, estão sujeitos a alterações bruscas de ritmo psiquíco. Ciclotímicos, eles passam abruptamente a uma rabugice infernal. Estas mudanças inexplicáveis de humor são normalmente seguidas de surtos de neurastenia, quando os aquarianos têm ímpetos de apontar um rifle para a janela do vizinho ou afogar na banheira o telefone que não pára de tocar.

Crises como estas são de fácil solução, e para isto basta recorrer ao arsenal psico-tecnológico high-tech: terapia por computador, biodança e alguns artigos importados como a dream-machine - as incríveis tiaras eletrônicas de ondas alfa que, uma vez presas à cabeça do aquariano, transmitem feixes relaxantes. São também muito úteis os recém-inventados óculos escuros plugados a um walkman com sons new-age, os quais, uma vez assentados sobre o nariz aquariano, emitirão ondas de harmonia e paz interior. Não adianta recomendar uma antiquada técnica de relaxamento zen se ela não vier acompanhada do kit eletrônico apropriado: a terapia para o homem do futuro tem que contar com o auxílio de engenhocas futuristas.

A psicanálise virtual pode ser uma boa pedida, também: o paciente aquariano simula no vídeo a realidade virtual de um consultório, um divã, e um psicanalista, e, depois de 50 minutos de silêncio contrito, desliga a aparelhagem, suspira fundo, e dá graças a Deus por tudo aquilo não ter passado de mera projeção de imagens.

Textos de Marília Pacheco Fiorillo e Marylou Simonsen, publicados no livro Use e Abuse do seu Signo, editado pela LP&M.
-can you love me?
-yes
-please? would you?
-yes. beijo
-thanks

Indiferença.

E o que é a indiferença? Um tema um tanto quanto extenso e rico em suas diferentes formas de demonstração, de conjugação. A sua indiferença pelas coisas alheias, pelas coisas do mundo que não lhe diz respeito. A indiferença emitida pelo o objeto de desejo em questão ao ser receptor da indiferença. Um desprendimento sem medida, que liberta qualquer conexão entre dois objetos, que não se alteram ou interferem, que não se relacionam. Insensibilidade que não se faz sentir, que não se sente, que não se toca. Frieza que penetra e corta, que esmorece qualquer possibilidade de aquecimento, gelo perpétuo e consistente. Apatia e inconsciência mórbida.
Odeio.
- Livia! Minha mae precisa q o hominho va la em casa!!! Vc pode dar o recado pra ele, please??????
- tá.. se eu encontrar o hominho.. ele tá meio arisco.. quando vem nem faz barulho.. entra quietinho..sai quietinho

de Drummond.

Meu corpo não é meu corpo,
é ilusão de outro ser.
Sabe a arte de esconder-me
e é de tal modo sagaz
que a mim de mim ele oculta.

Meu corpo, não meu agente,
meu envelope selado,
meu revólver de assustar,
tornou-se carcereiro,
me sabe mais que me sei.

Meu corpo apaga a lembrança
que eu tinha de minha mente.
Inocula-me seu patos,
me ataca, fere e condena
por crimes não cometidos.

O seu ardil mais diabólico
está em fazer-se doente.
Joga-me o peso dos males
que ele tece a cada instante
e me passa em revulsão.

Meu corpo inventou a dor
a fim de torná-la interna,
integrante do meu Id,
ofuscadora da luz
que aí tentava espalhar-se.

Outras vezes se diverte
sem que eu saiba ou que deseje,
e nesse prazer maligno,
que suas células impregna,
do meu mutismo escarnece.

Meu corpo ordena que eu saia
em busca do que não quero,
e me nega, ao se afirmar
como senhor do meu Eu
convertido em cão servil.

Meu prazer mais refinado,
não sou eu quem vai senti-lo.
É ele, por mim, rapace,
e dá mastigados restos
à minha fome absoluta.

Se tento dele afastar-me,
por abstração ignorá-lo,
volta a mim, com todo o peso
de sua carne poluída,
seu tédio, seu desconforto.

Quero romper com meu corpo,
quero enfrentá-lo, acusá-lo,
por abolir minha essência,
mas ele sequer me escuta
e vai pelo rumo oposto.

Já premido por seu pulso
de inquebrantável rigor,
não sou mais quem dantes era:
com volúpia dirigida,
saio a bailar com meu corpo.

Liberdade - Fernando Pessoa

Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca...

e de vanessas..

Eu não sei o que vi aqui
Eu não sei prá onde ir
Eu não sei porque moro ali
Eu não sei porque estou

Eu não sei prá onde a gente vai
Andando pelo mundo
Eu não sei prá onde o mundo vai
Nesse breu vou sem rumo

Só sei que o mundo vai de lá pra cá
Andando por ali
Por acolá
Querendo ver o sol que não chega
Querendo ter alguém que não vem

Cada um sabe dos gostos que tem
Suas escolhas, suas curas
Seus jardins
De que adianta a espera de alguém?
O mundo todo reside
Dentro, em mim

Cada um pode com a força que tem
Na leveza e na doçura
De ser feliz.

e de clarices..

'Por uma fraçao de segundo a pessoa se via como um objeto a ser olhado, o que poderiam chamar de narcisismo mas, já influenciada por Ulisses, ela chamaria de: GOSTO DE SER. Encontrar na figura exterior os ecos da figura interna: ah, então é verdade o que eu não imaginei: EU EXISTO." Clarice Lispector.

27 agosto 2006

rascunhos

Porque guardar tantos rascunhos?
...idéias ainda em estado bruto,
cartas não enviadas,
pedidos não feitos,
músicas não compartilhadas,
risos não lançados,
olhares cegos...
empregos não admitidos,
protocolos não validados,
fotos não vistas,
trabalhos não resolvidos,
equações não decifradas,
pérolas dentro de suas conchas,
e-mails não enviados,
textos não lidos,
escritos antigos,
histórias não reveladas,
estórias irrelevantes,
passados distantes,
futuros ainda misteriosos,
pares imperfeitos,
amores perfeitos.

dreaming wide awake




E eis que um cd que venho por engano, acaba de tocar fundo as melodias de uma noite de domingo...e cavoucando vou, me apaixonando, pela voz, melodias, batidas e pela artista. Apresento à vocês Lizz Wright que encantou essa noite de um domingo.

"Music lives in that place where anything can be picked up. It can become a different statement in someone else's hands than in my hands. The fact that it can be passed from hand to hand is something beautiful, almost spiritual. It means different things in different places, and I approached this record as if there is no history. I was just a voice, and I loved it." - Lizz Wright
A cana pode fazer milagres por uma pessoa.
Milagres para alguns, decadência para outros.
Mas nada como uma boa cana para ajudar a entender e a ouvir certas músicas.
Tudo toca a alma e fala ao coração.
Melodias que já tocaram mil vezes na vitrola da vida entram pelos ouvidos embriagando os pensamentos que voam longe e então nós tomamos posse da letra da música como se ela realmente pudesse neste momento exprimir tudo o que se passa na mente e coração. Como se fosse toda a verdade possível de existir e caber em nós.
Sim a cana muda a intensidade e profundidade das músicas que pertencem à nossa trilha sonora individual e coletiva.
O corpo levanta, e como em um ato de puro prazer pelo movimento, se movimenta, rodopia, sacode, dançando sem se importar com nada mais. E assim a satisfação e alegria tomam conta, conta do corpo, conta de tudo.

E porque a vida sem música não tem graça.. aí vai mais uma letra...

Há quanto tempo eu vinha me procurando
Quanto tempo faz , já nem lembro mais
Sempre correndo atrás de mim feito um louco
Tentando sair desse meu sufoco
Eu era tudo que eu podia querer
Era tão simples e eu custei prá aprender
Daqui prá frente nova vida eu terei
Sempre a meu lado bem feliz eu serei

Eu me amo
Não posso mais viver sem mim

Como foi bom eu ter aparecido
Nessa minha vida já um tanto sofrida
Já não sabia mais o que fazer
Prá eu gostar de mim , me aceitar assim
Eu que queria tanto ter alguém
Agora eu sei sem mim eu não sou ninguém
Longe de mim nada mais faz sentido
Prá toda vida eu quero estar comigo

Eu me amo
Não posso mais viver sem mim

Foi tão difícil prá eu me encontrar
É muito fácil um grande amor acabar , mas
Eu vou lutar por esse amor até o fim
Não vou mais deixar eu fugir de mim
Agora eu tenho uma razão pra viver
Agora eu posso até gostar de você
Completamente eu vou poder me entregar
É bem melhor você sabendo se amar


Eu me amo - Ultraje a rigor
Viva o trash, porque satisfaz!

26 agosto 2006

aproveitando o sábado

Sábado de sol, sábado de lavoro e também diversão.
Desce uma pinga aí, por favor. Vamos celebrar a vida.
Celebrar o início, celebrar o meio, celebrar o fim.
E já que hoje não quero falar muito...
já que as canções falam por mim..
Deixo que Moska diga por mim, por nós.
Um brinde!

A Seta e o Alvo - Paulinho Moska

Eu falo de amor à vida,
Você de medo da morte.
Eu falo da força do acaso
E você de azar ou sorte.
Eu ando num labirinto
E você numa estrada em linha reta.
Te chamo pra festa,
Mas você só quer atingir sua meta.
Sua meta é a seta no alvo,
Mas o alvo, na certa, não te espera.
Eu olho pro infinito
E você de óculos escuros.
Eu digo: "Te amo!"
E você só acredita quando eu juro.
Eu lanço minha alma no espaço,
Você pisa os pés na terra.
Eu experimento o futuro
E você só lamenta não ser o que era.
E o que era?
Era a seta no alvo,
Mas o alvo, na certa, não te espera.
Eu grito por liberdade,
Você deixa a porta se fechar.
Eu quero saber a verdade
E você se preocupa em não se machucar.
Eu corro todos os riscos,
Você diz que não tem mais vontade.
Eu me ofereço inteiro
E você se satisfaz com metade.
É a meta de uma seta no alvo,
Mas o alvo, na certa não te espera!
Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada,
Quando se parte rumo ao nada?

Sempre a meta de uma seta no alvo,
Mas o alvo, na certa, não te espera.
Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada,
Quando se parte rumo ao nada?

25 agosto 2006

butterfl – eyes

Encontros, desencontros e reencontros.
O silêncio respeitado, assimilado entre dois.
O olhar perdido, o olhar de menino, inocência já não mais revelada, ausente.
A certeza nunca esteve presente, inquietudes e o não entendimento das coisas que fazem parte da vida, que fazem parte de dois, dos dois.
Na infância o menino perguntaria empolgado: "Me diz o que você acha disso, o que você pensa sobre aquilo e daquilo outro? Me diz!"
A menina sem saber a resposta, sem ter resposta, não responderia. Apenas observaria e se encantaria com as coisas de menino.
Ele desapontado, no entanto, ficaria de mal com a menina e como que indignado diria a ela que sua meninice não o entenderia... (e não mais brincaria com a menina). Ela iria então para sua casa e, no caminho, se distrairia com uma borboleta transeunte. De volta para casa, encontraria uma borboleta pelo caminho... “Leve distração”...
A menina crescida não ousaria sentenciar as coisas do menino. Não. Ela não simplificaria sua essência em uma caixinha, botando-lha um rótulo, nem jamais acomodaria seus sonhos de menino em prateleiras. Não queria que a mágica empoeirasse na estante.
O menino grande diria incisivo para a menina: “pare de tentar entender a vida e vá vivê-la”.
Assim, então, os dois retomariam os afazeres rotineiros... em meio às contas que se acumulam ... e às tarefas não cumpridas, ao trabalho empilhado sobre a mesa e à poeira acumulada por entre as frestas, livros... e caixas nas prateleiras.
A menina crescida não soube onde foi parar o menino e tampouco como fazer para tirar a poeira que ofusca, ainda, o brilho de seu olhar.

23 agosto 2006

diferentes expressões de beleza dos corpos


As escarificações marcam riqueza, beleza, pertencimento a uma tribo... e coragem.
do livro Beleza do Século, Faux et alii, 2000.

o que é bonito - lenine

O que é bonito
É o que persegue o infinito
Mas eu não sou
Eu não sou, não...
Eu gosto é do inacabado
O imperfeito, o estragado que dançou
O que dançou...
Eu quero mais erosão
Menos granito
Namorar o zero e o não
Escrever tudo o que desprezo
E desprezar tudo o que acredito
Eu não quero a gravação, não
Eu quero o grito
Que a gente vai, a gente vai
E fica a hora
Mas eu persigo o que falta
Não o que sobra
Eu quero tudo
Que dá e passa
Quero tudo que se despe
Se despede e despedaça

O que é bonito...

.. e ainda sobre a beleza...

"Dizem às vezes que a beleza é completamente superficial.
Talvez.
Menos superficial, em todo caso, do que o Pensamento.
Para mim, a Beleza é a maravilha das maravilhas.
Só os espíritos levianos não julgam pelas aparências.
O verdadeiro mistério do mundo é o visível, e não o invisível..."

Oscar Wilde, O retrato de Dorian Gray.

Take My Hand - dido

Touch my skin, and tell me what you're thinking.
Take my hand, and show me where we're going.
Lie down next to me,
look into my eyes,
and tell me -- oh tell me what you're seeing.

So sit on top of the world, and tell me how you're feeling.
What you feel is what I feel for you?
Take my hand, and if I'm lying to you,
I'll always be alone, if I'm lying to you.

See my eyes, they carry your reflection.
Watch my lips, and hear the words I'm telling you.
Give your trust to me
and look into my heart,
and show me -- show me what you're doing.

So sit on top of the world, and tell me how you're feeling.
What you feel is what I feel for you?
Take my hand, and if I'm lying to you,
I'll always be alone, if I'm lying to you

Take your time, if I'm lying to you.
I know you'll find that you believe me,
You believe me

Feel the sun on your face,
and tell me what you're thinking.
Catch the snow on your tongue
and show me how it tastes.

Take my hand, and if I'm lying to you,
I'll always be alone, if I'm lying to you.

Take your time, and if I'm lying to you,
I know you'll find that you believe me,
You believe me.

22 agosto 2006

método

Às vezes vem o sentimento de que estou atrasada. Atrasada para a minha própria vida.
Preciso correr, redescobrir o prejuízo, cortar fora as partes inúteis, ficar com o essencial, mas mesmo assim, estou atrasada.
Como se os marcos da vida, estivessem inalcansáveis. Os métodos, modelos existentes não cabem na minha forma, na minha fôrma.
Ouvi algo inédito. Que devemos criar nosso próprio método. Para atender nossas demandas, nosso meio.
Acho que sou criativa.