27 maio 2008

12 maio 2008

A palmeira estremece
palmas pra ela
que ela merece.


Paulo Leminski

06 maio 2008

cambalhotar

este vulcão que é criado dentro de meu peito
sufoca minha gana de sorrir
daí quando cuspo, vomito pra fora
dilacera o que chamo de meu eixo

fico frágil, medrosa
despedaçada

mas não tem jeito
isto sou eu
me atropelo nas palavras
me atropelo no que sou
em mim
esta que desaprendeu
o que é dar cambalhotas

05 maio 2008

meu verso

para encurtar a distância
diminuir a saudade
fiz do meu pensamento
o meu único atalho.

pensando em você
olhando sua foto
e sentindo todo o tamanho de sua morada em meu peito
vi que não poderia ter sido um sonho
nem delírio da minha alma.

o que me resta
é ir ao seu encontro
direto pra dentro dos seus braços
que foi moldado exatamente pela volta do meu corpo

e quem sabe
ter um sonho, esta noite
com você
do mesmo jeito que se passou
na noite passada
e na outra e na outra

enquanto isso fico apenas com o buraco
da ausência tua
esta que me leva um pouco
todos os dias.

03 maio 2008

2000

O primeiro desenho que eu aprendi foi uma gota d'água, depois uma pêra, uma folha. Eu pensava: um dia vou aprender isso por dentro.

Fernando Diniz - exposição Imagens do inconsciente

29 abril 2008



porque eu tenho um amor
assim
com muitas flores e listras
e é tão meu
sempre foi.

saudade assim

do tamanho do mundo



que cabe dentro dos braços e
abraços

porque o amor
se veste de verde e
também dança funk

Gravity - Sara Bareilles

para escutar o que eu gostaria de poder cantar pra vocês

ginga

a minha rima
não seria
não fosse a falta
do teu corpo na minha cama
e
a minha alma na tua boca

da falta

o cansaço nesta mistura
com saudade
entro nesta minha repetição
a tal da solidão
combinada com a exaustão

e o medo
que dá vontade de desistir de tudo
mas isto é desespero
mas fico sonhando em francês e alemão
pra chegar mais perto, talvez

e estirpar de dentro do meu coração
a tristeza
de me deitar sozinha
e sentir o seu cheiro
apenas no livro
que você deixou para trás

28 abril 2008

posso errar,
portanto acerto...
o risco que arrisco
é o prazer a que me entrego (...)


Tereza Vignoli

22 abril 2008

du felhst mir


a luz dos olhos teus e meus

minhas listas

e dentre as minhas manias ..(e esta desde que me lembro por gente)
tenho uma que me remete à listas.
listas, de cores coloridas, canetas esferográficas, grafite, giz.
muitas listas
e de tempos em tempos junto todas
e refaço, reviso, risco.
listas pra semana, para o dia, vida
quase uma algema
novas velhas, recalchutadas, modificadas
às vezes me agonia, tantas listas
quero me livrar, por isto refaço
mas as listas, estas, são necessárias
pro compasso e descompasso dos meus dias
e desde sempre e sempre então assim.

contabilidade

por pensar no futuro, gastei meu feriado
na tentativa de botar um fim no passado
acumulado, guardando apenas a essência
inquieta, percebi-me perdida em meio ao meu presente empilhado
sobre a mesa e o chão do escritório
perdi o sono
tudo isso era para botar ordem no futuro
dono da minha ansiedade e pensamento
comandante da minha agenda abarrotada.
... logo logo rumo ao outro lado do oceano
quero o mergulho na cor azul,
dos olhos.

20 abril 2008

da minha pintura inexistente

têm sido difícil
nunca achei que graus de dificuldade fosse piorar (não nesse momento)
mas talvez é reflexo dos meus cachos (o que dá graça a vida).

ao mesmo tempo vislumbro o fim
como momento simples (auto-engano), pleno de felicidade,
pelas barreiras atravessadas (um pouco mais de auto-engano)

Acredito que essas telas pintadas pelo sublime
que nos remetem ao pitoresco, mesmo que romanceado
Estas sim, também são parte do que chamamos felicidade
Subterfúgios da realidade, que nunca é retratada em tons pastel.

...talvez não faça sentido nenhum, a ninguém.
Mas faz todo o sentido nesta manhã nublada de um domingo inter feriado.
E esse pouco sentido já me basta neste momento.

derredor

o mistério está apenas preso ao futuro
no resto ele é difuso
em pequenos pedaços desconexos
dispensados no caos reflexo na disposição do derredor
objetos que possuem vida neles mesmos

o que luto em dominar
o movimento próprio
do meu redor
o caos

11 abril 2008

tudo vai melhorar,

... do senso comum à frase que tenta lhe convencer a continuar o dia de amanhã.
Esta semana tem sido muito como todas as outras anteriores, um mexerico, uma pasmaceira, turbilhão ambulante
(contudo, desejo profundamente que diferentes das vindouras)

Declarações de amor, e feridas decorrentes das pedras atiradas.
sim, ele me ama, ele me disse e eu me derreto, e tudo se resolve, como o novo dia que masce daqui a pouco
Feridas muitas, dispenso comentários outros.

Cansaço misturado ao estresse do dia futuro, o tal do amanhã.
Ilusões e desilusões
com o mundo, meu próprio, e nosso, teu também.

e triste contente, cansada e enérgica vou ao meu recanto, aquele no qual fico só.
na escuridão, meu momento mais sublime, negligente, vulnerável, tardio, insuficiente.

feliz.

24 março 2008

prova viva de que a vida acontece
independente dos obstáculos

a passagem

fim de semana nebuloso
redemoinhos de vento,
afundada no caos, do tipo pessoal
que me é familiar e me faz companhia

tentativas de começar uma vida, que seja nova
vida nova
pausa para respiro em ócio permitido

porém logo, mais rápido do que necessário
já é segunda-feira

olho para a folhinha procurando o mês de março
mas já estou em abril.

14 março 2008

breve relatório destas últimas semanas

Faz um tempo, já.
aliás, este passa liso por entre as frestas da porta do meu quarto.
Amanhece o dia, chega mais um fim de semana.
apenas as desajeitadas pilhas de papéis permeadas pelo caos ficaram.
Estou meio perdida, meio acelerada.
Meu hipertireoidismo é sub-clínico.

Estamos no meio de Março.
sou mestra, pois é.
Ficam agora todos os sonhos competindo por espaço com todo o trabalho do mundo (que me pertence).
Até que a ordem seja estabelecida.
A saudade que já é estado crônico fica reservada aos tempos ociosos. Poucos porém intensos.